CPI que investiga contrato de gestão do Hospital de Timóteo ouve ex-assistente de faturamento

Dando continuidade às oitivas da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura possíveis irregularidades no contrato de gestão do Hospital e Maternidade Timóteo (HMT) pelo Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (HMTJ), a comissão ouviu, na tarde desta segunda-feira (23), a ex-assistente de faturamento do HMTJ, Gabriela Suana.

Gabriela atuou no hospital entre abril de 2023 e o fim da gestão do HMTJ. Ela explicou que era responsável pelo faturamento de todos os serviços realizados na unidade — desde atendimentos eletivos, exames, pronto atendimento até internações. Segundo a ex-funcionária, os arquivos de faturamento eram enviados mensalmente à Secretaria de Saúde, e todo o material passava por conferência do médico auditor do município.

Ela também informou que o setor de faturamento não contava com um coordenador presencial. As orientações vinham da coordenadora Thaís Corrêa, que atuava em Juiz de Fora.  Questionada se Thaís realizava validação dos dados antes do envio à prefeitura, Gabriela negou e explicou que a validação era feita exclusivamente pelo auditor do município.

Sistema

Sobre atrasos no envio do faturamento, a ex-funcionária relatou que houve dificuldade técnica nos dois primeiros meses da atuação da mantenedora, referentes aos atendimentos de abril e maio de 2023. Ela afirmou ainda que, embora o sistema utilizado pelo hospital apresentasse inconsistências ao se conectar com a plataforma oficial do SUS (Sistema Único de Saúde), todas as contas foram enviadas dentro do prazo regulamentar de 90 dias. Gabriela disse não se lembrar se houve alguma formalização do problema por parte do hospital à Secretaria de Saúde, mas que todas as justificativas eram repassadas ao então gerente administrativo, Matheus Ferraz. Ela também confirmou ter participado de uma reunião com representantes da Secretaria de Saúde, da equipe de Tecnologia da Informação e da gestão hospitalar, na qual foram discutidas as dificuldades técnicas enfrentadas naquele momento.

Cirurgias particulares

Com relação às cirurgias particulares realizadas na unidade, Gabriela esclareceu que a emissão de notas fiscais não era feita pelo setor de faturamento. Segundo ela, os pedidos eram encaminhados ao gerente,  Matheus Ferraz, que repassava as solicitações à sede do HMTJ em Juiz de Fora. “O faturamento mesmo não passava por nós. A nota fiscal era enviada diretamente ao paciente por outro setor”, disse.

A ex-funcionária afirmou não ter conhecimento sobre eventuais serviços realizados fora do que previa o contrato de gestão, nem sobre a origem da dívida de mais de R$11 milhões que o HMTJ alega ter a receber do município. Questionada diretamente sobre se haveria atendimentos não faturados que pudessem justificar o montante, a ex-servidora foi enfática: “Tudo que foi feito foi faturado. Se não foi faturado, não há débito”, afirmou.

Encaminhamentos

O presidente da CPI, vereador Adriano Alvarenga, destacou que o depoimento de Gabriela Suana contribuiu para esclarecer pontos centrais da investigação, especialmente sobre o faturamento e a validade dos valores cobrados pela HMTJ, antiga gestora do Hospital e Maternidade Timóteo. Ele também adiantou que a próxima rodada de oitivas será realizada no dia 1º de julho, com a convocação de três investigados: O Gerente Operacional da HMTJ, Rafael Campello, Benedito Jandiroba, Diretor Financeiro da HMTJ e Jefferson Mendonça, Gerente de Suprimentos HMTJ.

Fonte: ASCOM Câmara de Timóteo