Ultramaratonista é convocada para representar o Brasil na França

A Manhuaçuense e ultramaratonista, Rose Valentim está preparando as malas, para um novo desafio em Albi(França), cidade histórica a 85km de Toulouse. A atleta foi convocada, para representar o Brasil na Ultramaratona de 24 horas, oficialmente chamada de IAU 24H World Championships 2025, que acontecerá nos dias 18 e 19 de outubro. A prova será realizada em circuito fechado, geralmente com voltas de 1 km ou menos, em pista ou trajeto plano urbano.

A atleta foi convocada devido ao índice alcançado de 216 km, em Indaiatuba (SP), no ano passado e, atualmente lidera o ranking brasileiro, tanto nos 100 km quanto nas 24 horas. Rose Valentim teve uma marca considerável de 8h45 nos 100 km. Esses resultados foram fundamentais, para colocá-la como referência nacional e, os 216 km em 24 horas colocaram-na como líder do índice brasileiro. No ano, a ultramaratonista representou o Brasil na Argentina, no desafio continental de 24 h, em que o Brasil ficou em 2º Lugar feminino e 1º lugar no masculino.

Rose Valentim conta que, numa prova oficial de 24 horas realizada em um percurso fechado de 400 metros, a alimentação é tão importante quanto o treino. O corpo do atleta não consegue sustentar tantas horas de corrida, apenas com a energia já armazenada. Torna-se fundamental alimentar constantemente, para não perder força.  Durante a prova, a atleta precisa do apoio de uma equipe técnica, segue um cardápio pré-definido sem parar de correr. Também recebe bebidas com sais minerais e suplementos de fácil digestão, sempre em pequenas doses. “O segredo está justamente nesse equilíbrio, para manter energia e hidratação sem sobrecarregar o estômago, garantindo que eu consiga continuar correndo forte até o fim”, explica a ultramaratonista.

Desafios encontrados pelo longo caminho

Durante uma ultramaratona de 24 horas, o corpo é levado ao limite, mas a mente decide até onde se pode ir. A cada quilômetro, o atleta enfrenta não apenas o cansaço físico, mas também o desgaste emocional, desconforto crescente e os desafios invisíveis que surgem com o tempo. Bolhas nos pés, unhas perdidas, dores musculares, sono, fome, calor e frio.

Tudo se acumula e, mesmo assim tem de seguir. A escolha da vestimenta, como um top de alta sustentação, não é apenas uma questão de conforto e sim uma barreira contra ferimentos, que podem comprometer toda a jornada.

O tênis e  meias de alta performance tornam-se aliados silenciosos, tentando proteger o corpo daquilo que é inevitável, que é o desgaste. Mas, mesmo com os melhores recursos, a dor chega e traz incômodo. Nesse momento que, uma ultramaratonista revela sua verdadeira força.

Falta de apoio dificulta o sonho de voar

Outro desafio encontrado por Rose Valentim é a falta de patrocínio. Para viajar até a França, a atleta está em busca de apoio e chama a atenção para a necessidade do projeto Bolsa Atleta no município.

Mesmo convocada pela Seleção Brasileira, não existe patrocínio de nenhuma marca. “O atleta precisa construir sua base, conseguir apoiadores para a viagem. Tenho o apoio somente da Faculdade do Futuro, mas o programa Bolsa Atleta seria uma forma de apoiar quem gosta verdadeiramente do atletismo. A cidade cresce e o número de corredores também. Está na hora”, pondera Rose Valentim.

Eduardo Satil